Que o Rio de Janeiro continua lindo, todos já sabemos…..

AMOR CONFESSO: A NOVA ORDEM DAS COISAS !

Quando a gente sai de casa a fim de assistir a um espetáculo, não sabe exatamente o que vai encontrar. Não falo necessariamente da qualidade, mas do estilo, linguagem, de como aquilo irá nos tocar.

Que o Rio de Janeiro continua lindo, todos já sabemos e que a representação dita, de certa forma, uma outra ordem de velhas coisas, talvez ninguém tenha dúvidas, pois afinal, o que é verdadeiramente novo, se não um olhar distinto sobre o já existente?

Arthur Azevedo e Machado de Assis são autores do século XIX, embora tenham avançado o XX que, tecnicamente, existe a partir dos desdobramentos da primeira grande guerra, de 1914 a 1918. Os futuristas anunciavam seus quereres em meio a podres poderes, muitos antes de Caetano Veloso parodiar a Baudelaire, em seu livro Alegria, Alegria , como o poema “Flor do Mal”,  Editora Pedra que Ronca, Salvador, Bahia, no ano de 1970. Falácia ?

Lembro-me que no final dos anos oitenta, o genial dramaturgo Dias Gomes anunciava a crise da dramaturgia pela falta de renovação do teatro, cinema e televisão brasileiros.

É claro que Gomes focava mais no segmento televisivo, fonte de renda para atores, atrizes, diretores, iluminadores e demais profissionais da indústria do entretenimento. E há que se lembrar que a criatividade de um José Celso Martinez Correa, Antunes Filho e outros que gerenciavam o Oficina e Opinião,  por exemplo, pareciam não ter continuados dessa tradição; ainda que pese o nome de Amir Haddad e outros geniais criadores das artes cênicas no pais. Essa renovação estética viria ressurgir com a turma do Asdrúbal, que gera o Manhas e Manias,  dentre dezenas de outras companhias solitárias na explosão criativa que atravessa o milagre econômico e vai beber nos anos oitenta seu hibridismo pós-pós .

E todos mais que ousaram botar a boca no trombone.

Nada contra o mass-midia,  espetáculo grandiosos, super-produções. Mas quando a gente assiste a alguma montagem desprovida de aparatos tecnológicos que desafia o palco italiano com um ( aparente) vazio estético, nosso olhar de (tele) espectador busca na interpretação do autor o verdadeiro espírito da representação teatral. E o palco vem girando há dezesseis anos para desconforto daqueles que ainda reproduzem o dilema de Dias Gomes e Janete Clair. para ficarmos apenas no ambiente desse Demônio Familiar – produzido há mais de cento e cinquenta anos (olho para trás e reflito sobre o mais que SESC centenário de nossa independência política, não cultural!)

Cuiabá está ás vésperas de completar seu terceiro centenário, mas o presente para a classe artística, sobretudo a teatral, vem mesmo no mês de maio com o extra-ordinário festival que partilha alguns dos melhores espetáculos em nível nacional, em suas várias modalidades de encenação. A Companhia Falácia  traz da terra de Machado de Assis outra leitura da religiosidade cristã ao propor uma releitura de dos clássicos contos do bruxo do Cosme Velho, “A Igreja do Diabo”.

Se o cramunhão veste Padra é algo que não sabemos, mas que a elegância desfila pelo palco com a conivência de outro baiano, isso está claro pelo tom, Zé!

Arthur Azevedo e Machado de Assis são revisitados de maneira criativa em duas montagens que centram no trabalho de ator a dinâmica do fazer teatral.

A arte de Moliére a serviço do homem na busca de dialetizar a partilha complexa do ser humano; ontologia de ser e estar, em contato com o melhor da arte brasileira. Um bom texto é a base de qualquer montagem, seja ele verbal, não verbal, híbrido. O irmão de Aluísio Azevedo era um bom vivant, e suas obras ainda refletem as temáticas atuais, não por serem contemporâneas, mas sim por se tratar de questões inerentes ao ser humano, por dialetizarem a angústia e nobreza de todo e qualquer sentimento. A carência de bom humor perfaz um caminho sem volta na cultura brasileira, ocultando a erudição inexistente, a retórica vazia que encobre nossa ignorância .

A colagem de contos de Azevedo, entre entrecortados por paródias e outras linguagens artísticas dá a certa leveza para matemática dos relacionamentos amorosos, bem como para se repensar a instituição do casamento, na esfera burguesa pós- marselhesa, no melhor estilo afrancesado da cultura brasileira dos novecentos. O corte do machado na genealogia literária brasileira faz da narrativa uma ventura repleta de ambiguidades em que o risco fácil desopila o fígado de qualquer um.

a nova ordem das coisas faz com que o lado dantesco da comédia humana nos prive da companhia agradável do bom senso e da ordem natural das coisas. E como diria Roberto Carlos em um clássico de sua discografia: “E que tudo mais vá pro inferno “.

Luiz Renato de Souza Pinto

luiz-renato

Isolda Risso
Isolda Risso

Mãe, Empresária, Cronista, Coach de Vida , Design de moda e acessórios, observadora do comportamento humano. Um Ser humano mutável e processo de evolução !

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