Gosto não se discute, mas nada impede de aprimorá-lo.

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Pietá

Pietá de Michelangelo

Gosto não se discute, mas nada impede de aprimorá-lo.

Indiscutivelmente que gosto não se discute, se respeita, no máximo  lamenta-se. As preferências, independente de que natureza for, estão diretamente conectadas ao horizonte interno de cada indivíduo. Sua história, seu meio sócio econômico, sua escolaridade, suas experiências, alegrias e tristezas, possuem a força de determinar ou influenciar fortemente a predileção de cada um.

Quem pode afirmar que o branco é mais bonito que o verde?

O doce esta acima do salgado?

Quem é mais atraente, o alto, o baixinho ou aquele que possui estatura mediana?

Gordinhos ou magrinhos?

Loiro ou moreno?

Asiático ou europeu?

Monet é melhor que Kandinsky?

Quem dança melhor? Anna Pavlova, Serge Diaghilev ou Ana Botafogo?

Platão ou Aristóteles?

Samba ou rock?

Cinema ou teatro?

Bach ou Chopin?

O fato é que cada um tem o seu encanto, e antes de nos dar o direito, direito este que não possuímos de julgar o gosto alheio, importante lembrar que ao julgar, estaremos violando o direito que todos temos de fazer nossas escolhas de acordo com nossas particularidades.

Todavia, vale lembrar que o homem contemporâneo vem perdendo a capacidade contemplativa, mais que isso, esta perdendo a capacidade de distinção estética, ao ponto de colocar no mesmo balaio a música “Porque homem não chora” (Pablo) com “Insensatez” (Tom Jobim).

Com pesar, tenho visto entre os jovens e nem tão jovens assim, uma acentuada falta de disposição e de comprometimento com o auto-aprimoramento cultural. A internet chegou e ocupou um lugar importantíssimo em nossas vidas, e graças a ela, podemos de qualquer parte do mundo nos conectar as mais diferentes culturas. Hoje já não cabe mais a fala de que não tive oportunidade de ter acesso a boas escolas, museus, galerias, viagens, portanto sou um xucro, uma vitima da vida. Meu amigo, se não teve, hoje pode ter, para isso basta adicionar em seus sites preferidos, alguns que irão somar para a sua cultura geral.

A escassez de interesse e valorização do auto-aprimoramento cultural, tem criado indivíduos vítimas da cultura de rebanho. Nossa sociedade hoje é o retrato de um povo inculto. Eu sei que o que vou falar é de cunho  pessoal e nem tenho a pretensão de que você vá concordar, mas penso que assim como eu, você almeja um mundo melhor, mais justo e democrático. Para que isso aconteça, é nosso dever nos tornarmos melhores, desenvolver capacidades, ampliar nosso conhecimento nos removendo da ignorância. Ser melhor, não significa mudar, renegar as origens e sim aprimorar, lapidar e administrar melhor a vida, enriquecendo-a, tornando-a abundante.

Voltando aos gostos e preferências, observo que existe resistência no senso comum, quando se fala em literatura, filosofia, música clássica. Na maioria das vezes estes assuntos são tidos como algo “muito elevado”, um tanto inatingível para o ser humano comum. Referindo-se a música clássica então, existe a crença de que apenas poucos iluminados conseguem entender, portanto apreciar.

Nada mais equivocado, podemos não perceber, mas, ao contrário do que se costuma dizer por aí, a chamada “música clássica” faz parte do nosso repertório auditivo comum, de nosso convívio, assim como outras criações de diferentes áreas artísticas.

Ninguém precisa entender de escultura para se emocionar diante da Pietá, de Michelangelo. Quando assistimos ao filme E.T. a trilha sonora executada pela orquestra possui rigorosamente os mesmos componentes técnicos e artísticos de uma sinfonia de Tchaikovsky. É fato que ouvir Beethoven não faz parte do cotidiano das pessoas, mas nada nos impede de introduzir a literatura, a filosofia, a arte e com isso ampliar nosso horizonte.

É preciso educar o olhar, educar a audição, desenvolver o raciocínio. Na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão, as crianças são educadas desde cedo a ouvir música erudita.

Para concluir, quero deixar ressaltado que o que é bom independe de ser erudito ou popular, a caipirinha não tem menor valor que o champanhe, a MPB não é superior ao Sertanejo (existe o bom e o ruim em ambos) mas é importante que conheçamos os dois lados da moeda.

Despeço-me, deixando a você uma das minhas músicas preferidas, espero que aprecie.

Um abraço

Isolda.

 

 

 

 

Isolda Risso
Isolda Risso

Mãe, Empresária, Cronista, Coach de Vida , Design de moda e acessórios, observadora do comportamento humano. Um Ser humano mutável e processo de evolução !

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