Como uma cliente deve ser atendida em uma loja…

Atendimento!

Entrar em uma loja e não encontrar ninguém para me atender, desperta em mim meu lado irracional, salvo quando estão todos ocupados, mesmo assim é de bom tom alguém se aproximar, explicar e solicitar que aguarde, pois assim que possível alguém virá atender.

É perfeitamente natural que isto ocorra, bom sinal, são presságios de que os produtos são de boa qualidade ou que está havendo uma big promoção, é hora de comprar, bom para o consumidor, para o lojista e vendedor, todos ganham. Que assim seja!

Ok. Vamos aguardar sem crise, muito menos ter ataque de estrelismo. Já tive o desprazer de presenciar um homérico! A bacana, por gostar de torrar sua grana e ser uma cliente em potencial, queria que a vendedora parasse de atender o outro e desse atenção só a ela, como isso não ocorreu, a simpática se rebelou!

Onde será que foi parar toda a pose? Desceu do salto agulha, arrastou as tamancas e rasgou o verbo.

É nessas horas que se reconhece a origem, não financeira, mas de educação. É tão ridículo, irritante e ao mesmo tempo deprimente ver uma pessoa passar um atestado de insegurança e grosseria em meio a desconhecidos, mais triste ainda é que ela não se dá conta do papelão. Definitivamente: “dinheiro, poder, educação e elegância nem sempre caminham juntos”.

 Voltando ao atendimento… Não menos irritante é quando acontece o inverso. Você mal coloca os pés no recinto e já vem um atendente grudar em você. Sinceramente, ainda não sei dizer qual das duas situações me desagrada mais. Sinto-me sufocada, sem liberdade para olhar a vontade.

Sou o tipo de cliente não incomodo ninguém e não gosto que me incomodem nesta hora também, gosto de olhar com calma, e despencar prateleiras sem que eu solicite vai me dando uma agonia, em geral me retiro e dificilmente retorno ao local que tenha esta política de atendimento.

O atendente se colocar à disposição para ajudar é uma coisa, agora ficar atrás de você como uma sombra é de amargar, ouuuu mostrando quilos de roupas que na maioria das vezes não tem nada a ver com você. Pior ainda quando fica falando: olhaaaaa, é a sua cara vai ficar linnndo, ou você pede um manequim 42 e ela traz um 38 e insiste que você prove – só se for para estourar o zíper.

Quando resolvo sair para procurar por uma roupa de que necessito ou simplesmente desejo, já saio com a mente voltada para algo específico. Sei exatamente o que quero, nem sempre sei onde encontrar, se soubesse iria direto ao local, amo roupa, mas tenho pavor de ficar andando de loja em loja.

Entrei na loja, olhei, não vi nada que esteja próximo ao que procuro, pergunto se tem alguma peça nestas especificações, óbvio que variações irão existir mas que não fuja muito da proposta, se tem ótimo, se não tem, pelo amor de Deus, seja sincera e diga que não, é pura perda de tempo querer me empurrar algo. Poucas coisas para mim são tão desagradáveis quanto forçar uma venda.

Agora, quando me apaixono por uma peça, havendo saldo na conta, dificilmente resisto.

Também há aqueles dias em que você sai só para ver vitrine, se atualizar, passear e não quer ou não pode comprar, e daí? É muito deselegante da parte do lojista ficar forçando a barra. Em algumas lojas nem entro mais, não me sinto a vontade, é como se eu tivesse obrigação de comprar. Sem falar nos inúmeros telefonemas convidando para você dar uma passadinha na loja, ou, o que é pior, sem o menor desconfiômetro invade sua privacidade enviando para sua casa sacolas de roupas sem que tenha solicitado.

Sei que há pessoas que pedem, mas há outras que não pedem, será que é tão difícil assim distinguir umas das outras? É muito deselegante essa insistência por parte de alguns lojistas. Nos últimos tempos, quando me perguntam o número do meu telefone, dou um jeito de não passar, se a pessoa insiste, digo logo que quando eu desejar ou precisar de algo, eu mesma ligo ou vou até o local.

Que coisa chata, dificilmente um lojista liga para saber como você está sem que por detrás tenha uma intenção.Entendo perfeitamente que cada um tem que vender seu peixe, mas será que não dá para vender o peixe com um pouco mais de elegância e respeito á liberdade do outro? Tenho pena das vendedoras que por vezes são insistentemente cobradas pelos proprietários das lojas a ficar ligando para os clientes. Eu corro de gente assim como o diabo corre da cruz.

Feliz ou infelizmente esta sou eu. Graças a Deus, poucos nascem com este defeito de fábrica, por experiência e convivência tenho um exemplo do meu oposto, saída de minhas entranhas, minha linda, loura e doce filha. Até os 14 anos eu a acompanhava quando ela queria comprar roupa, mas eu me preparava espiritualmente por uns três dias antes de sair. Rogava a todos os Santos que estivessem ao meu lado, e convicta de que seria atendida, lá íamos nós às compras. Entra na loja, despenca prateleira, prova tudo, não gosta e não leva nada.

Outra loja… Mais uma… Tinha dias que passávamos a tarde entrando experimentando e saindo de mãos vazias ou no máximo com uma peça, que provavelmente no dia seguinte ela ia querer trocar, pois não estava bem certa se era aquela mesmo que queria. Voltava na loja, trocava a peça, saia da loja, chegava á porta do shopping e resolvia trocar de novo por aquela que havia levado no dia anterior.

Mas sempre digo que Deus é pai, sabe dos limites de cada um, portanto dá o fardo de acordo com o que o outro pode carregar. Minha doce e loura filha, embora indecisa ao escolher roupas, é extremamente centrada, responsável e econômica. Normalmente são os pais que seguram a grana para que os pimpolhos não a torrem, aqui é diferente, ela quem muitas vezes corta meu embalo. Para que as turbulências na hora de escolher roupa não chacoalhasse muito nossa relação, hoje, quando ela deseja algo, lhe empresto meu cartão e ela vai de boa.

Tenho uma amiga com essas características também – será que é mal de louras? Dia desses rimos muito, ela, eu e minha filhota, ela consegue ser um pouco mais indecisa ou previdente, não sei ao certo, me confidenciou que, quando compra algo, chega em casa e não usa. Guarda do jeito que chegou da loja, todo dia dá uma olhada, experimenta e guarda, após uma semana com o mimo em casa guardadinho, ela define se fica com ele ou se volta à loja para trocar por outro, pode??? Minha filha adorou a ideia, possivelmente adote este salutar hábito. Mulheres tem dessas coisas.

Se há pessoas como eu, há outras como as que relatei acima. Para esses casos, espera-se que as atendentes estejam preparadas para auxiliar de forma transparente, não expondo o cliente indeciso ou inseguro ao ridículo, sugerindo, para não dizer empurrando, uma roupa que normalmente é mais cara, interessada somente na comissão que irá embolsar.

Caso sinta que esta é a política do local ou da “simpática” que esta lhe atendendo, sem constrangimento algum, educadamente dê seu recado de insatisfação e saia para nunca mais voltar, estará contribuindo para a melhoria deste planeta.

Quem sabe as pessoas comecem a se despertar e entendam que o respeito, a honestidade e a afetividade, independente de os laços serem só de ordem comercial ou não, devem ser cultivados. Lugares onde impera só o $$ não merecem que depositemos nosso suado dinheiro e ainda correr o risco de comprar uma roupa inadequada.

Se a indecisão permanecer, relembrando: já que corremos o risco de errar, optemos errar pela simplicidade, acredito que nosso erro pode nos apresentar uma grata surpresa e apontar que acertamos e fechamos o placar.

Um abraço

Isolda

 

Isolda Risso
Isolda Risso

Mãe, Empresária, Cronista, Coach de Vida , Design de moda e acessórios, observadora do comportamento humano. Um Ser humano mutável e processo de evolução !

Sem Comentários Ainda

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado.