Viajando com Juliana Soledade…

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Acordo as 5:30 para as 6:00 começar a andar, ainda no escuro com o dia querendo se espreguiçar. Os primeiros passos nos lugares mais perdidos e escondidos da Espanha. 8, 9, 12 horas de caminhada para chegar a um albergue com outros peregrinos, compartilhar o quarto, o banho, o respeito. Chego sempre com o coração inundado de paz por saber que a cada passo foi carregado de gratidão e às 22:00 quando a luz de todo o albergue se apaga juntamente com as portas fechadas, rogo uma noite serena de sono e ela vem mesmo com 38 pessoas dormindo no mesmo quarto.
No outro dia acordo exatamente com a dor no pé em que dormi, vez ou outra aparece outra dor nova, mesmo assim calço os sapatos e sigo com a roupa mais leve ou todas que existem na mochila, as roupas vão perdendo a cor, a graça e a novidade.
O caminho quando começa os pássaros avisam uns aos outros e a sinfonia se inicia, os pés batem ao solo e posso escutar os meus próprios passos, os primeiros são sempre mais difíceis e parecem ressoar nos vilarejos que ainda dorme.
Partimos em bando, mas normalmente caminhamos sozinhos. Faz parte da mágica do caminho. Os últimos caminhos são concluídos diante muita dificuldade. A cidade de destino parece próxima, mas que na realidade nunca chega. As pernas sempre parecem blocos de concretos, encarar de 30 a 40 km diários se tornam normais, apesar de cada chegada ser extremamente dura.
No fim do dia percebo que conheço as pessoas por suas histórias às vezes não lembro os seus nomes, mas as histórias carrego como lembranças.
Todas as noites eu me pergunto o por quê do caminho, sequencialmente acordo todas as manhãs e visto as minhas meias tendo plena consciência do meu caminho. Ele me pertence antes mesmo de eu pertencer a ele.

Juliana Soledade

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