Relações amorosas…

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Sobre relacionamentos sem sexo

                                              Vulgo relações amorosas

 Estive com uma amiga agora pouco e uma questão me chamou a atenção enquanto nos deliciávamos com uma xícara de café, acompanhada do melhor croissant da cidade, segundo os nossos paladares.

Durante nossas conversas, chegou um assunto e parou: relacionamento sem sexo.

Parece esquisito, né?
Será porque as probabilidades de que isso exista são baixíssimas, já que estamos cada vez mais levianos, o que faz com que seja mais provável que haja mais sexo sem relacionamento, ou porque as pessoas ainda são apreensivas a esse tipo de assunto?

Entre uma suposição e outra, falamos sobre o que será que contribui para que duas pessoas permaneçam em uma relação sem sexo.

A beleza? Talvez.
O costume? Quem sabe.
O comodismo? Pode ser.
A amizade? Possivelmente.
Por último, a companhia, que achamos a mais convincente.

Partindo disso, vamos questionar.
Será que todo relacionamento com sexo é um relacionamento amoroso?
Será que um relacionamento sem sexo deixa de ser amoroso por não consumar o ato sexual?
O que é um ato sexual?

E será que a beleza, o costume, o comodismo, a amizade e a companhia são elementos indispensáveis para construir um relacionamento amoroso?

Deve ser, em parte.
Há quem considere que esses elementos juntos sejam cruciais para se relacionar com alguém. E há quem não. Já dizia a palavra “relações” que combina com “relatividade”, logo, tudo é muito “relativo”.

Apesar desses elementos, dando ênfase na companhia, que talvez seja o fator mais influente, pois pode, muitas vezes, ser o alicerce de uma relação, dado que a pessoa tenha com quem dormir de conchinha quando quiser; almoçar junto; ir a um show junto; tomar um café ou uma água com gás junto; viajar junto; sentar na calçada junto, ou pelo simples fato de “estar lá”, junto.
Ainda assim, algum dia, de alguma semana, de algum mês e de algum ano,  aquela mesma pessoa pode acordar pela manhã e perceber que todos aqueles elementos não são suficientes.

Pois infelizmente estamos gradativamente vinculados a uma sensação de insatisfação, no sentido de que podemos ter todos os aparatos necessários para “vivermos bem”, mas a nossa tendência a sentir que “algo está faltando” é tão vasta, que mesmo possuindo todos esses aparatos, ainda estaremos insatisfeitos.
Estamos à todo momento, procurando pelo “mais”, o tempo todo.
Mas isso já é outro assunto.
Vamos focar.

Voltando…

E quando, dentro de todos aqueles elementos, o sexo não está incluído? Não faz sentido. É quase impossível. Totalmente fora de lógica.

Isso, para alguns, lembrando do “relativo”. E assim, muitos de nós, debruçamos sob a ideia de que não exist relacionamento sem sexo.

Aí, atrevo-me a dizer que aqueles que pensam dessa maneira são os que possuem grandes chances ou que de fato estão vivendo um “sexo sem relacionamento”. E não dá para dizer até que ponto isso pode ser bom ou ruim, pois tanto pode resultar na realização de um prazer repentino, quanto pode dificultar o alcance de um prazer mais duradouro.

Porém, também me atrevo a dizer que o sexo pode sim ser
parte de uma necessidade fisiológica do ser humano.
A diferença é que alguns necessitam de mais, outros de menos.

Para uns, sexo é tão importante quanto tomar água e ir ao banheiro.
Às vezes, passa até ser um ato monótono e automático, a ponto das duas pessoas não mais se perceberem ou se apreciarem, passando a ser apenas dois corpos que ocupam o mesmo espaço e que resolveram se conectar por conveniência. O que pode deixar de ser emocionante, quiçá excitante, já que até as conexões de mais fácil acesso necessitam de um contato sólido com seus receptores, para poderem estar sempre em progresso.

Para outros, aquele papo, aquele beijo, aquele abraço, o aperto de mão, o sorriso malicioso e aquela troca de olhares, equivalem tal qual a uma penetração sexual. E aí o sexo acaba sendo a “consequência” desse conjunto de coisas.
Ou não, apenas pela sensação que esse conjunto de coisas  oferece é provocado tanto prazer, que o sexo em si parece ser o que menos falta.
Pode até faltar um vinho e um risoto, não sexo.

Por fim,

acaba que dentro de quatro paredes, somente os participantes de uma relação é que sabem o que acontece.
Alguns vão continuar sendo apenas corpos que ocupam o mesmo espaço e que resolveram se conectar na busca de um prazer repentino.
Enquanto outros, serão amantes entrelaçados, que não precisarão buscar um prazer mais duradouro, pois certamente aquela troca de olhares foi tão marcante, que está fazendo efeito até agora.

Relacionamentos serão sempre relativos.

Com sexo ou não.

Mas, você pode escolher:

Ou você entra, sem vasculhar

Ou você toca, antes de entrar.

PS: Sempre use campainha.

Simone Azevedo

 

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