Para Freud, cada pequeno erro contêm uma potencialidade…

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Ato falho
Sigmund Freud

Os deslizes da língua traem o que ocultamos na mente

 Numa carta de 1890 ao médico Wilhelm Fliess, seu amigo, o neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) arrolou vários exemplos do que notara ser uma curiosa tendência das pessoas de cometer equívocos discursivos, devido, talvez, a falta de atenção, dados incompletos ou propensão a antecipar as respostas. No livro Sobre a psicologia da vida cotidiana (1901), Freud se refere a esses erros como Fehlleistungen (atos falhos) e diz que o que hoje chamamos de “deslizes freudianos” pode representar a emersão de um pensamento ou desejo inconsciente, sintoma, talvez da luta constante entre a visão consciente da realidade e as coisas que reprimimos no inconsciente. Esses lapsos de linguagem, ou “gafes”discursivas, erros verbais reveladores de crenças reprimidas, seriam expressões aleatórias de processos inconscientes por parte de indivíduos saudáveis.

“Minha hipótese é que este tipo de lapso não se deve a uma escolha psíquica arbitrária”.
Sigmund Freud

Para Freud, cada pequeno erro contêm uma potencialidade, seja errar numa curva dirigindo o automóvel, trocar um número de telefone ou equivocar-se na ortografia de uma palavra pouco familiar. “Da mesma que faz uso da interpretação dos sonhos”, ele disse certa vez, “a psicanálise tira partido do estudo dos inúmeros pequenos lapsos que as pessoas cometem”. Não poderíamos, então, dizer que os deslizes freudianos não passam de erros, ou falhas, resultantes da falta de concentração? Afinal, o próprio Freud disse certa vez a um aluno que lhe perguntou se existia alguma necessidade psicológica subjacente ao ato de fumar charuto: “Às vezes, um charuto…é apenas um charuto.” JMA

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