Os lençóis deliciosamente macios forravam a cama de casal….

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Alma

Dias grandes passaram com cumplicidade e carinho. Junto ao corpo exaurido de bons momentos, o cansaço vaio à tona. A jovem então decidiu repousar, depois de um dia cheio de trabalho, estudo e boas lembranças.

Os lençóis deliciosamente macios forravam a cama de casal, os travesseiros de pena de gando arrumados, um perfume de âmbar exalava naquele cômodo. Ela, após um banho frio como era de costume, vestiu-se com a mais confortável roupa de dormir e lançou-se na cama.

Seguindo um ritual de anos, se pôs em oração e, em seu leito, acariciou o peito, como maneira de acalentar seu coração que, mesmo dentro de um grande caos, consegue encontrar fugas de serenidade. O sono surgiu, não medindo esforços, permitiu que a moça se desligasse deste mundo profano e viajasse em terras tranquilas e serenas.

Nuvens, mar e um céu azul coloriam o turvo que se encontrava aquela vida. Com uma paisagem exuberante ela caminhava e marcas dos seus pés desenhavam a areia naquela praia. As ondas frias de águas claras apagavam o signo deixado por ela.

Um longo caminho foi percorriso, mesmo com inúmeros viventes naquele ambiente, ela não os notava, ignorava qualquer tentativa de dispersão dos seus pensamentos.

Ao levantar o olhar, encontrou um jovem sorrindo, com as mãos nos bolsos, blusa clara, descalço. A vida se perdeu no sinal que indicava novos dias de alegrias. Eles, parados frente a frente, inundavam-se com a expressão de simpatia.

O sonho foi levado pelas ondas, os olhos abriram e o processo de reconhecimento do cenário foi iniciado.

Não encontrou o amado ao lado, no entanto idealizava que ele se encontrava em outro cômodo, também sem entender o motivo da saída. Indentificou o guarda-roupa com portas de correr, viu a porta entre-aberta, sentou-se na cama, acendeu a luz e a tristeza se fez presente no rosto. Não, ela não estava na casa do amado, o corpo não se transportou…

… A viagem foi de alma.

Juliana Soledade

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