O orgulho é um subproduto dos sentimentos humanos….

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ORGULHO PRÓPRIO NOS FAZ BEM?

Dia desses fazia minha caminhada e quando caminho é um momento que me dedico para fazer um balanço de como eu tenho me portado perante as diversas situações que a vida me convida vivenciar. Neste dia eu estava muito inquieta com um acontecimento do dia anterior e fui me vasculhar do porque de tanto desconforto interno. Depois de alguns quilômetros rodados, eu vi que o que estava me pegando era o orgulho ferido.

Uma pessoa havia me dito uma bobagem e mesmo eu sabendo que era um equívoco por parte dela, seu comentário cutucou meu ego e aí o orgulho assumiu o controle das minhas emoções.

Mais aliviada por ter descoberto o que estava me irritando tanto, no caminho de volta para casa, comecei a refletir sobre esse terrível adversário que de tão hediondo que é, emburrece até as mentes mais brilhantes. Não que eu seja uma delas.

Quando somos tomados pelo orgulho, nós distorcemos os fatos e não conseguimos compreender os acontecimentos mais banais.

O orgulho é um subproduto dos sentimentos humanos, intimamente ligado aos instintos e completamente apaixonado pela paixão.

Paixão esta, que sabemos não ser boa conselheira.

Sentir orgulho de algo que fizemos, ou de alguém que amamos, não é propriamente danoso, embora que eu pense que nessas ocasiões o sentimento de contentamento, de alegria, prazer e júbilo, seria mais adequado e menos nocivo.

Equivocadamente, acreditamos que devemos ter orgulho próprio e até condenamos quem “aparentemente” não tem.

Eu coloco o aparentemente entre aspas, porque acredito que todo ser humano ainda sinta orgulho, variando de níveis de pessoa para pessoa.

Quem falar que não o tem e nunca teve, sinto muito meu amigo, para mim você é um mentiroso. Muita gente não assume que sente orgulho, inclusive não são poucos os que passam atestado de humilde, mas esta “aparente humildade” é muitas vezes uma ferramenta para esconder o orgulho que grita dentro dele.

O personalismo é a expressão mais perceptível e concreta do orgulhoso, ele raramente utiliza-se da palavra nós e prega como ninguém o “eu quem fiz” ou “se não fosse eu” é uma grande coleção de eu, eu e eu.

O orgulhoso possui uma excessiva e incontrolável valorização dos seus feitos e uma terrível indiferença pelas conquistas alheias.

Assim como vemos pessoas com complexo de inferioridade, temos o orgulhoso com complexo de superioridade e complexo não faz bem para ninguém.

O orgulhoso sente-se o melhor, acima de tudo e de todos. Quão banal é o esnobe, ele incapacita-se de ver as próprias imperfeições, mantendo-se preso no tempo sem evoluir.

Quer ver um exemplo?

“Todo aquele que acalenta o desejo de prosperar profissionalmente, sabe que deverá estar em constante aprimoramento, investindo em cursos, especializações, mestrados e doutorados. É o caminho natural e esperado de todo indivíduo que não se contenta com o básico que adquiriu ao sair da faculdade ou em outro tipo de formação. Diante dessa realidade, a criatura que não seguir esta vereda, em pouquíssimo tempo estará fora do mercado de trabalho, devendo se contentar em caminhar por uma estrada sem muitas perspectivas”.

O orgulhoso não evolui emocionalmente, nem espiritualmente e socialmente ele é aceito porque deve de algum modo oferecer algum benefício para alguém, caso contrário, estará condenado a viver com ele mesmo e sua arrogância.

A superioridade pessoal provocada pelo sentimento de orgulho interfere na formulação de juízos, e a partir disso, criam-se verdades incontestáveis. Verdades que na maioria das vezes são verdades só para o orgulhoso.

Quem deseja prosperar na vida como um todo, tem o dever de buscar o seu aperfeiçoamento não só como profissional, mas principalmente como ser humano.

Precisamos julgar menos os outros e sermos mais severos com nossas imperfeições. Tem gente que possui uma facilidade ímpar de detectar os defeitos alheios, mas como um macaco, ao olhar para si, enrola o rabo e senta em cima.

É o orgulho que nos induz a dissimular nossos defeitos tanto morais, quanto físicos.

Não há ninguém que não necessite podar suas arestas, uns mais outros menos, alguns em um sentido, outros em outro sentido, mas todos estamos no mesmo barco viajando em direção ao aperfeiçoamento moral, ético e social. Quem não se der conta disso, estará fora, não do mercado de trabalho, mas da evolução espiritual.

Respondendo a primeira frase dessa conversa, se o orgulho próprio nos faz bem, eu te afirmo com toda segurança, o orgulho é um atraso na nossa vida, devemos combatê-lo incansavelmente para o nosso bem. O planeta agradece.

Isolda Risso

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