Na sociedade contemporânea qual a importância das virtudes ?

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PEQUENO TRATADO DAS GRANDES VIRTUDES

Das virtudes quase não se fala mais. Isso não significa que não precisemos mais delas, nem nos autoriza a renunciar a elas. É melhor ensinar virtudes, dizia Spinoza, do que condenar os vícios. É melhor a alegria do que a tristeza, melhor a admiração do que o desprezo, melhor o exemplo do que a vergonha.

Não se trata de dar lições de moral, mas de ajudar cada um a se tornar seu próprio mestre, como convém, e seu juiz. Com que objetivo? Para ser mais humano, mais forte, mais doce. Virtude é poder, é excelência, é exigência. Não há bem em si: o bem não existe, está por ser feito, é o que chamamos virtudes. Foram elas que tomei aqui por objeto: da polidez, que ainda não é moral, ao amor, que não o é mais, dezoito capítulos sobre essas virtudes que nos faltam.

andre

André Comte-Sponville, filósofo materialista, racionalista e humanista, nasceu em Paris, em 1952. Ex-aluno da École Normale Supérieure, foi professor de filosofia e por muito tempo mestre de conferências na Universidade de Paris I, de onde saiu para se dedicar exclusivamente a escrever e dar conferências fora da universidade. Nem otimista, nem pessimista, procura ver as coisas como elas são, sem se iludir. De um ponto de vista epistemológico, aproxima-se do racionalismo crítico de Karl Popper. Separa radicalmente a ordem prática (os valores) e a ordem teórica (o conhecimento). Para Sponville filosofar é “pensar a sua vida e viver o seu pensamento”. Ele propõe uma metafísica materialista e uma espiritualidade sem Deus; o conjunto podendo constituir uma “sabedoria para o nosso tempo”.

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