José Saramago, o escritor Português que encanta todos, nos quatro cantos do mundo.

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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Um dia normal na Cidade. Os carros parados numa esquina esperam o sinal mudar. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. Em meio a buzinas enfurecidas e à gente que bate nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, formando duas palavras: Estou cego.

Assim começa esse romance de José Saramago. A “treva branca” que acomete esse primeiro cego vai se espalhar incontrolavelmente pela cidade e, em breve, uma multidão de cegos precisará aprender a viver de novo, em quarentena.

“Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são”. E, de fato, o que se verá é uma redução da humanidade às necessidades e afetos mais básicos, um progressivo obscurecimento e correspondente iluminação das qualidades e dos terrores do homem. (E das mulheres também, de maneira especial).

Impressionante, comovedor, este romance é um marco na literatura em língua portuguesa. É uma visão das trevas, uma viagem ao inferno, e a história de uma resistência possível à violência de tempos escuros.

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”, diz uma personagem.

Às vésperas do fim do milênio, num período onde imperam, de um lado, a velocidade, a ganância e a abstinência moral e, de outro, a profecia e um misticismo compensatório, o escritor vem nos lembrar a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. É um livro, então, sobre ética, e é um livro também sobre o amor e, sobre a solidariedade. Cada leitor viverá, aqui uma experiência imaginativa única, no esforço de recuperar a lucidez.

José Saramago nasceu em 1922, de uma família de camponeses da província do Ribatejo, em Portugal. Exerceu diversas profissões, como serralheiro, desenhista, funcionário público e jornalista, antes de se dedicar só à literatura. Prêmio Nobel em 1998, escreveu algumas das obras mais relevantes do romance contemporâneo, como O ano da morte de Ricardo Reis e O Evangelho segundo Jesus Cristo, lançada pela Companhia das Letras, que publicou, além deste, outros 23 livros do escritor. Saramago faleceu em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, em 2010.

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#feliznapropriapele

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