A importância de equilibrar as ações…

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Em “Ensaios” de Montaigne ele fala: “nós nascemos para agir”.

Nós humanos precisamos agir sobre a realidade para moldá-la, transformá-la e assim nos sentirmos recompensados. Essa necessidade é uma de nossas características próprias, um traço que nos diferencia dos animais, que ao construir seu ninho o faz movido pelo instinto de sobrevivência e não de melhoria, de bem estar.

Já o homem para além da sobrevivência, precisa envolver-se num trabalho, numa ação, numa criação: “a inatividade pesa consideravelmente no sentido literal da palavra. Ela o esmaga, o entedia, o impede de se sentir totalmente ele mesmo”.

Uma pessoa que se limite a esperar na ociosidade que o tempo passe, vive com um gosto de falta de realização e completude, não pode desenvolver sua humanidade e toda a sua potencialidade. O exemplo mais comum e corriqueiro para o entendimento é a imagem de uma pessoa que teve uma vida ativa e se aposenta contendo muita energia para queimar.

A princípio ela acredita que irá descansar, que vai viajar, ler ou assistir sessão da tarde todas as tardes. Inicialmente ela desfruta desses prazeres, todavia com a somatória dos meses o tédio e o vazio passam a visitar sua alma. Do tédio para a depressão é um pulinho, e quando se dá conta a vida perdeu o sentido.

O que era para ser prazer se transformou em uma fonte de insatisfações.

Trabalhar, interferir na realidade é indispensável ao nosso bem-estar e mais ainda, ao crescimento do nosso ser. No entanto trabalho não é apenas o que nos permite ganhar dinheiro para viver, mas toda tarefa, toda produção na qual investimos tempo, criatividade e prazer.

Jardinagens, trabalhos ocasionais, uma atividade manual, intelectual, um trabalho voluntário, são interferências na realidade que leva o indivíduo a um contentamento saudável. Entretanto, quaisquer que sejam os benefícios do trabalho e da criação, devemos aprender a evitar uma armadilha: a hiperatividade, que é o excesso de ação e vem a ser tão nefasta quanto à ausência de ação.

Em nosso mundo, onde tudo anda tão depressa, somos permanentemente estimulados, queremos atender a todas as solicitações, mostrar um bom desempenho a todo o momento: no trabalho, em casa, na vida social.

Não largamos mais o telefone celular, entregues aos jogos eletrônicos. Ora ,assim como o equilíbrio entre vigília e sono nos é vital, nosso ser interior também precisa de repouso, de relaxamento e reflexão. Repousar não significa dormir, repousar também é flanar, contemplar as árvores, entrar em contato com a natureza, olhar vitrines, entregar-se a uma ocupação inútil, fútil, simples, leve, não programada, sem finalidade nem objetivo preciso, na gratuidade de um momento em que relaxamos completamente, de corpo e alma.

O essencial é saber conceder-se períodos de pausa. Nós tememos os momentos de descanso completo porque os consideramos como um tempo perdido. Ao contrário, devemos encará-los como um tempo de ganho.

Isolda Risso

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