A ideia de que a mente humana é um fluxo de consciência já existia…

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Fluxo de consciência
Willian James

Teoria de que a consciência humana é um fluxo ininterrupto de pensamentos

 A ideia de que a mente humana é um fluxo de consciência já existia em antigos textos budistas, mas o estudo moderno do fenômeno começa em 1899 com a obra-prima Princípios da psicologia, de Willian James (1842-1910), um dos primeiros psicólogos reconhecidos nos Estados Unidos. Nesse livro, James fala da consciência como “interrupta” e afirma que não há “lacunas”, ou, como gostava de dizer, “intrusão de substâncias estranhas” que separem um período de consciência do seguinte. Acreditar que a consciência é interrompida por lacunas ou intrusões, pensava James, é como  “esperar que o olho sinta uma lacuna de silêncio pelo fato de não ouvir, ou que os ouvidos sintam uma lacuna de escuridão pelo fato de não ver”.

James comparou a consciência a um rio, algo que flui o tempo todo mesmo no caso de uma mudança brusca, como uma explosão, uma perda de equilíbrio, uma queda. Esse tipo de coisa – uma trovoada, o som de um disparo – é quase tão desconectado de nossos pensamentos quanto “o nó de um bambu é uma ruptura em seu colmo”. James acreditava que nossas experiências cognitivas se sobrepõem umas às outras ligadas pelo que chamava de “franjas”, alças do subconsciente que atuam como colchetes a ligar nossos pensamentos conscientes e impedir que vivamos um caótico mundo interior de experiências aleatórias não relacionadas.

A teoria de James influenciou a literatura na forma de um método narrativo usado para representar a torrente de pensamentos e sentimentos que passam pela mente de um personagem ou narrador. O romance Ulysses (1992), de James Joyce, é um de seus mais ilustres exemplos.

“Assim como a vida de um pássaro, o fluxo de consciência tem o aspecto de uma interminável alternância de voar e empoleirar-se”.

William James, Princípios da Psicologia (1899)

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