A ARTE DE ENGOLIR SAPOS.

A frase: “eu não levo desaforo para casa” ou “falei mesmo, pronto e acabou”, chega a soar agradavelmente para seus ouvidos acostumados com berros e discussões. Alguns até acham bonito tal comportamento, acreditam que é uma característica positiva ser assim, de autenticidade e força. Costumam também falar: “comigo ninguém tira farinha”.

Estas pessoas possuem a crença de que não se deve guardar nada, deixar nada para depois e que faz bem para saúde expressar a raiva, afinal, um sentimento tão devastador tem que ser vomitado mesmo, no primeiro que vem a frente ou naquele que foi objeto de seu desagrado.

Pensam que em levantar a voz, socar a mesa, cerrar os punhos e bater os pés, serão vistos como autênticos. Não foram poucas as vezes que além de presenciar cenas dessa natureza já tive o dissabor de ser aquele que estava no lugar errado, na hora errada e de frente da criatura destemperada, outras vezes eu fui o alvo mesmo.

É inegável que os explosivos experimentem no primeiro momento após a explosão um certo alívio e bem estar para logo em seguida sentirem um profundo arrependimento. Quantas relações não foram minadas e destruídas porque um dos lados não conseguiu administrar uma contrariedade com equilíbrio. Quantas vidas não se perderam em decorrência de um momento de fúria?

Eu penso, que se alguém em um momento de calma se visse na hora da explosão, o que iria pensar de si mesmo? Se tiver um mínimo de discernimento, vai se rotular como histérico, lunático, grosso, ridículo e desequilibrado, o que de fato é. Quando duas ou mais pessoas discordam de uma ideia, de um comportamento ou de uma atitude, é natural que haja um mal estar entre eles, afinal quem não gostaria que tudo fosse do seu jeito?

É fato que guardar sentimentos negativos não faz bem a ninguém, a ciência comprova que muitas doenças no ser humano são em decorrência do acúmulo se sentimentos reprimidos, sabe aquela coisa de engolir e engolir sapos? Qual o ser humano que já não se viu obrigado a por abaixo alguns desses anfíbios verdinhos? E olha engolir o sapo até que não é difícil, o desafio é digerir o mesmo. Enquanto vivermos estamos expostos a passar por estes dissabores.

Agora… o fato de se calar, manter-se em silêncio diante de um aborrecimento, não significa que somos fracos ou que temos sangue de barata. Manter o equilíbrio em situações conflitantes é sinal de inteligência e maturidade. Os mimados e inseguros que resolvem seus perrengues no berro.

E quer saber ? Não resolvem, só geram mais conflitos. A pessoa madura, soluciona seus abacaxis  posicionando-se firmemente e educadamente perante o outro. Se o outro no momento da discordância não consegue dialogar sensatamente, aquele que mantem o juízo no lugar, interrompa a conversa e deixe a solução para depois. Não caia na armadilha “do tem que se resolver agora”, tem coisas que não há como chegar a um bom termo quando os ânimos estão exaltados. Se você cair nessa arapuca, estará dando combustível para que o outro mantenha a festa da baixaria e das ofensas.

Não estou aqui falando para se conter indefinidamente, às vezes a gente sai do sério mesmo, mas que resolver as coisas no grito não seja uma forma de viver.

Decidir no berro é sinônimo de não ter argumentos que se sustentam, aí a agressão passa a ser uma defesa.

Se o outro não te respeita, respeite-se você.

Se o outro não te valoriza, você tem o dever de se valorizar e uma das formas de valorizar-se é não aceitar que o outro grite com você.

Um abraço!

Isolda

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